Projeto Ockham

Captured by Aliens Captured by aliens: The search for life and truth in a very large universe (Joel Achenbach)
Antes que alguém se espante com o título deste livro, um esclarecimento: este não é um livro sobre abduções alienígenas. Joel Achenbach é um jornalista do Washington Post, com um estilo agradável e bem-humorado de escrever, que faz um excelente panorama de nossos esforços pela busca por vida extraterrestre. De Carl Sagan a um "médium" (não sei se essa é a palavra mais adequada) que canaliza pensamentos de um extraterrestre (que por sua vez consegue canalizar um outro extraterrestre de outra raça!?); dos escritórios e laboratórios da NASA às convenções mais extravagantes do mundo da ufologia; do mais científico e ortodoxo ao mais surreal e excêntrico, Achenbach esteve lá.
O assunto é recheado de especulações e teorias, onde mesmo aquelas discutidas e levadas a sério pelos cientistas dificilmente podem ser encaradas como científicas no verdadeiro sentido da palavra. Se existem outras civilizações, em universo com bilhões de anos de idade, algumas delas já deveriam ter atingido um nível de desenvolvimento que permitisse que elas se espalhassem. Mas onde estão elas? Elas já deveriam ter nos encontrado. Eis o paradoxo lançado por Enrico Fermi, em 1950. Ou seus robôs deveriam ter nos encontrado - uma variante do paradoxo de Fermi, proposta em 1981 por Frank Tyler. Talvez elas já tivessem nos visitado no passado, uma hipótese lançada pela primeira vez não por Erich von Daniken, mas por Carl Sagan em um artigo publicado em 1962. Talvez elas simplesmente optassem por não viajar - a Hipótese Contemplativa.... e assim por diante. Uma das propostas mais famosas na área, a equação de Drake, que permitiria o cálculo do número de civilizações tecnologicamente avançadas no universo, dificilmente pode ser considerada mais que uma grande especulação, já que a maioria de seus termos não tem como ser obtida. De certa forma, tudo que podemos fazer é esperar, observando as estrelas. É o que faz o programa SETI.
Outra questão diz respeito ao desenvolvimento da inteligência e de civilizações tecnologicamente avançadas. Temos apenas um caso para nos basearmos: o nosso próprio planeta. Por um lado, no único planeta onde sabemos que existe vida, desenvolveu-se uma espécie capaz de viajar para além de seu planeta natal. Mas podemos olhar de outro ângulo - de milhões de espécies animais que aqui vivem ou já viveram, apenas uma se desenvolveu a esse ponto. Então qual a resposta: o surgimento de formas inteligentes de vida é a regra ou a exceção? E aí saímos da astronomia para a biologia, ou seu híbrido, a astrobiologia (ou exobiologia).
E além do lado científico, a busca por outras formas de vida está intimamente ligada a questões espirituais e religiosas, que alimentam as diversas e às vezes absurdas crenças e convicções pessoais sobre o assunto. Ou seja, é uma discussão fascinante em todas as suas facetas e Achenbach fez um excelente trabalho ao descrevê-la.
Alexandre Taschetto de Castro

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