Projeto Ockham

Paranormal Beliefs (Erich Goode)
Este é um dos raros livros sobre crenças paranormais que não se importa com a questão de sua veracidade. Quer elas tenham fundamento ou não, isso não interessa para Erich Goode, professor de sociologia da Universidade Estadual de Nova Iorque. A questão é: por que elas são tão comuns? Quem acredita nelas e por quê? Como elas se propagam? Freqüentemente, cientistas e céticos demonstram espanto com o contínuo crescimento e difusão dessas crenças apesar do desenvolvimento da ciência nas últimas décadas e de sua presença cada vez mais constante em nossas vidas. A culpa costuma ser atribuída à mídia sensacionalista, à educação científica deficiente ou a algum outro agente que impediria que as pessoas comuns reconhecessem a irracionalidade dessas crenças.

Bem, a realidade é muito mais complexa. Goode começa mostrando que existem vários tipos de crenças paranormais, com atitudes diferentes adotadas por seus praticantes. Por exemplo, existem os que defendem que as leis da ciência podem ser violadas em certas condições (caso dos chamados "cranks", os pseudocientistas mais extremos); outros defendem que as leis da ciência são válidas, mas existem fenômenos que ainda não foram descobertos pelos cientistas ou evidências por eles interpretadas de forma errônea ou limitada (caso de várias pseudociências); e aqueles que pregam a existência de uma dimensão espiritual à qual a ciência não tem acesso (caso das crenças de cunho espiritual - médiuns, fantasmas, NDEs, etc).

Após um bom resumo dos contrastes entre a forma científica de pensar e sua concorrente paranormal, incluindo as críticas de cada grupo ao "oponente", Goode escolhe quatro crenças para uma análise um pouco mais detalhada: astrologia e outras formas de previsão do futuro, criacionismo, parapsicologia e ufologia. Goode também aborda as correlações das diversas crenças com diferentes parcelas da sociedade (religião, raça, nível educacional, etc), revisando as pesquisas existentes sobre o assunto e mostrando que estas correlações podem variar bastante de crença para crença. São abordadas também as relações entre as crenças paranormais e a religião, a mídia e a política.

Goode inclui, no final do livro, um apêndice bastante interessante - redações escritas por alguns de seus alunos sob o tema "Em que acredito". Algumas delas servem como excelente ilustração para a principal conclusão do livro: por mais que os cientistas se esforcem, existem várias forças sociais que favorecem as crenças paranormais e elas provavelmente continuarão conosco por bastante tempo...

Alexandre Taschetto de Castro

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