Projeto Ockham
O homem na Lua O homem não foi à Lua?

por Widson Porto Reis mail
em 20/03/05

Os argumentos físicos (II)

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Há uma pedra com uma letra "C" gravada!
De fato uma das fotos da Missão Apolo 16 é possível ver o que parece ser uma letra "C" gravada em uma pedra. Conspiracionistas vêem nisto a prova de que esta pedra é parte do cenário teatral montado para a farsa.

O site www.lunaranomalies.com investigou os negativos das fotos armazenados em três diferentes Arquivos Públicos americanos e descobriu que a marca não aparece em nenhum deles (curiosamente este site crê em diversas outras teorias conspiratórias, como sinais de UFOs que teriam sido encontrados na Lua e mantidos em segredo pela NASA, mas é um dos mais devotados a desmistificar o mito de que o homem nunca esteve lá, afinal este é um pré-requisito para as suas teorias!). Ampliando a foto impressa os investigadores concluíram a marca na pedra era um fio de fibra que havia se depositado sobre o filme antes da revelação, o que pode ser constatado pela imagem abaixo. Repare como o fio projeta uma sombra atrás de si, na parte superior.

Como os astronautas suportaram a radiação espacial?
Foi em 1958, logo no início da corrida espacial, que os cientistas descobriram que nosso planeta é circundado por uma grande nuvem de partículas carregadas - prótons em sua maioria, aprisionados pelo campo magnético terrestre. Esta nuvem de forma toroidal foi denominada cinturão de Van Allen, em homenagem ao seu descobridor.

Um dos argumentos mais utilizados pelos conspiracionistas em sua teoria é que esta rosquinha de radiação espacial seria mortal para os astronautas que tentassem atravessá-la, a não ser que estivessem protegidos por pesadas camadas de chumbo. Esta impossibilidade física, segundo eles, é a prova irrefutável de que o homem nunca chegou à Lua. Vejamos...

O problema das partículas carregadas é que aquelas com alta energia e pequeno diâmetro conseguem atravessar a pele e provocar danos nas células. O organismo humano tem capacidade de se recuperar da maior parte dos estragos, mas se eles forem muito grandes, ou se acumularem devido a uma exposição prolongada, certamente evoluirão para uma forma de câncer. O segredo então está em manter a dose de radiação recebida em níveis toleráveis pelo organismo, diminuindo a energia das partículas ou o tempo de exposição.

Talvez você já soubesse disto, afinal já ouviu falar dos perigos de permanecer muito tempo sob os raios ultravioletas do Sol e já viu o seu dentista se esconder atrás de uma parede de chumbo durante uma radiografia. A pegadinha é que a radiação do cinturão de Van Allen não é da mesma natureza dos raios-X do dentista ou dos raios ultravioletas do Sol. Estas são chamadas de radiação ionizante, e são diferentes da radiação das partículas carregadas de que estamos falando. Para estar protegido da radiação de raios-x, raios gama ou kriptonita (que felizmente representa perigo apenas para o Super-Homem) é preciso uma grossa camada de chumbo ou concreto. Já no caso das partículas carregadas, uma folha de papelão ou no máximo 1 centímetro de metal ou plástico é suficiente pra uma proteção adequada. Por isso não se engane da próxima vez que alguém lhe disser que a nave Apolo precisaria de uma parede de 2 metros de chumbo para proteger os astronautas. Na verdade, ao contrário do que está escrito nos livros de física que os conspiracionistas lêem (não nos esqueçamos dos gibis: foram os raios cósmicos que transformaram quatro astronautas a caminho da Lua nos Quatro Fantásticos), quanto mais grossa a camada e mais pesado o metal, menos efetiva se torna a proteção contra partículas carregadas, já que o bombardeio das partículas contra o metal é justamente o que gera os perigosos raios-x; assim são gerados, por exemplo, os raios-x do aparelho do seu dentista.

Depois de um cuidadoso mapeamento do cinturão de Van Allen, os cientistas da NASA concluíram que, desde que os astronautas atravessassem a região muito rapidamente e o fizessem onde o cinturão é mais fino, a dose de radiação recebida dentro da espaçonave seria muito pequena para representar perigo. Sobre este assunto você pode acompanhar os cálculos (bem técnicos) sobre a dose de radiação recebida pelos astronautas no site do Caltech ou ler o artigo "Biomedical Results Of Apollo - Radiation Protection And Instrumentation", da NASA, que discorre sobre as diversas fontes de radiação no espaço e o perigo que elas representaram para a missão.

Por que nem sempre há intervalo na conversação dos astronautas com a base?
Um sinal de rádio viaja na velocidade da luz. Isto quer dizer que alguém transmitindo da Lua precisaria esperar seu sinal atravessar a imensa distância que o separa da Terra e depois esperar que o sinal da resposta fizesse o caminho de volta. Como a velocidade da luz é de 300.000 km/s e a distância média entre a Terra e a Lua de 380.000 km, o tempo mínimo entre uma pergunta e uma resposta é de 2,4 s. Ou seja: seria de se esperar que houvesse uma pausa de pouco mais de dois segundos em toda comunicação travada entre a base e os astronautas, mas não é isso o que se ouve. Outra falha grosseira da NASA em sua falsificação? Não exatamente.

Imagine que você está aqui na Terra, gravando sua conversa com alguém na Lua. Seu amigo fala na Lua e 1 segundo depois, tão logo ouve a pergunta, você dá a resposta. Perceba que neste instante não haverá na gravação da conversa nenhum intervalo entre pergunta e resposta. A partir daí haverá uma demora de 1 segundo para sua mensagem chegar a Lua e mais outro segundo para você ouvir a réplica do astronauta, deixando, agora sim, um intervalo de pouco mais de 2 segundos na fita. A figura ao lado ajuda a entender o processo.

Mas "2001 Uma Odisséia no Espaço" é tão realista...
O clássico dos clássicos "2001 Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrik, foi lançado um ano antes da chegada do homem à Lua. A cena em que o astronauta caminha na Lua é tão realista que muita gente considera esta a prova de que a NASA não teria tido dificuldade em forjar a ida do homem à Lua. Tem até gente que vê no senhor fora de foco escondido no fundo da foto abaixo, semelhança tão grande com o Stanley Kubrick (à direita) que diz que esta é a evidência de que o diretor estava furtivamente envolvido na armação. Na nossa opinião a única coisa semelhante nos dois senhores é a calvície iminente, mas para os que acham esta uma semelhança suficientemente suspeita, uma foto anterior, tirada de outro ângulo, mostra que o homem abaixado definitivamente não é o diretor de cinema. Clique nas imagens para ver as fotos originais ampliadas.


Outro filme muito comentado é "Capricórnio 1" sobre uma equipe da NASA que forja a ida do homem à Marte. O filme foi feito em 1978, quase uma década depois da chegada do homem à Lua, e as semelhanças com as filmagens feitas pela Missão Apolo são grandes, como seria de se esperar de um filme que tenta ser o mais realista possível.

Tudo bem, então porque o homem nunca voltou lá?
Nossa pergunta final é: se o homem realmente foi à Lua nas décadas de 60 e 70 então porque nunca mais retornou? Porque a viagem à Lua não é uma coisa corriqueira hoje em dia?

Não se iluda, a corrida espacial não teve esse nome à toa. Ela não foi um empreendimento científico e sim uma missão militar com o único objetivo de atestar a superioridade da nação (e do regime de governo) que primeiro levasse um homem à Lua. Vencida a corrida e de posse do troféu, os EUA se voltaram para assuntos mais práticos, especialmente a guerra do Vietnã, que já se tornava um grande atoleiro. O desinteresse do povo americano em ver astronautas indo e voltando com nada além de pedras (infelizmente nada de monolitos negros...) era tanto que nem as redes de televisão ocupavam mais seu espaço com as transmissões dos lançamentos.

Além disso, ir à Lua não é barato. Vinte e cinco bilhões de dólares foram gastos no programa Apollo, o que corresponderia a mais ou menos 100 bilhões hoje. Mesmo que a maior parte deste custo tenha servido mais para capacitar a NASA às futuras viagens espaciais do que simplesmente colocar o homem na Lua, é muito mais barato, rápido e seguro enviar sondas e robôs para terminar o serviço de exploração. Enquanto isso, o dinheiro dos contribuintes americanos pode ser melhor aplicado em saúde, combate à fome e armas, não necessariamente nesta ordem.

Conclusão
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