Projeto Ockham
O 11 de Setembro

por Widson Porto Reis mail
em 27/01/07

Conclusão

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Na conspiração do 11 de Setembro, como em outras conspirações populares, se encontraram as duas coisas que fazem florescer uma boa teoria da conspiração: um motivo que parece razoável para a maioria das pessoas e a incapacidade técnica para distinguir fato e ficção - assim como os conspiracionistas da Lua arriscavam palpites como engenheiros de foguetes, os conspiracionistas do 11/9 surgiram como os novos experts em demolições.

No entanto, no caso do 11 de Setembro, um ingrediente a mais dá liga à mistura conspiracionista. Boa parte do povo americano (cerca de 40% dele, a julgar pelas pesquisas) relutam em aceitar que os terroristas sobrepujaram de maneira tão espetacular os míticos orgãos de inteligência americanos. Antes de aceitar a falibilidade do "sistema", e consequentemente sua própria vulnerabilidade, muitos preferem acreditar que o governo, mesmo sabendo dos atentados, escolheu não agir, para justificar suas ações militares no Iraque e no Afeganistão. É como desistir da ética em favor da competência. Neste caso, acreditar na conspiração funciona como um mecanismo de defesa psicológico contra o verdadeiro Terror.

É preciso admitir, contudo, que teorias da conspiração como a do 11 de Setembro são construídas sobre pelo menos um pilar sólido: governos mentem. O governo americano mentiu quando acusou o Iraque de possuir armas de destruição em massa. O governo espanhol mentiu quando tentou jogar a culpa dos atentados de 11 de maio sobre o grupo separatista basco. Governos mentem e certamente conspiram para atingir seus objetivos.

Mesmo a idéia de governos forjando atentados terroristas para justificar suas ações não é totalmente fantasiosa. No Brasil vivenciamos algo assim em 1981, no final da ditadura militar, com o episódio do atentado do Riocentro. Na época os militares planejavam explodir duas bombas atribuindo a culpa aos grupos de esquerda numa tentativa alucinada de interromper o processo de abertura política que se desenrolava. Mas nossos militares não tiveram a competência que os conspiracionistas atribuem ao militares americanos e uma das bombas explodiu antes do tempo, dentro do carro dos terroristas, matando um sargento e ferindo gravemente um capitão. Os envolvidos confessaram a conspiração mas o governo militar nunca admitiu participação oficial no episódio.

Sim, governos mentem e conspiram. No entanto é preciso mais do que interpretação seletiva dos fatos para encontrar uma conspiração; é preciso estudos técnicos, não suposições leigas; depoimentos confiáveis, não testemunhos editados até serem tirados de contexto; trabalho jornalístico sério, não um documentário inconseqüente com factóides maquiados; motivação coerente, não fatos encaixados à força e aglutinados com pura imaginação.

No caso da conspiração de 11 de Setembro dezenas de testemunhas viram um Boeing, não um míssil ou um carro bomba, atingir o Pentágono. Destroços de um avião com as cores da American Airline foram encontrados, assim como restos humanos dos passageiros. Centenas de especialistas - engenheiros e cientistas, civis e militares - estudaram detalhadamente durante quatro anos a queda do WTC e divulgaram um volumoso relatório público que pode ser lido e contestado por qualquer profissional da área. As gravações do vôo United 93 são numerosas, infalsicavelmente carregadas de emoção e contam a história do dia em que o terror foi vencido pelas pessoas comuns. Apesar disso, que ninguém duvide: a Teoria da Conspiração do 11 de Setembro veio para ficar.

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