Projeto Ockham
O 11 de Setembro

por Widson Porto Reis mail
em 27/01/07

O Pentágono

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Poucos meses depois do atentado de 11 de Setembro o francês Thierry Meyssan lançou o livro "L'Effroyable Imposture" -- A Assustadora Mentira -- (o sucesso foi tamanho que Meyssan já lançou um segundo volume, intitulado "Pentagate"). Meyssan foi um dos primeiros conspiracionsitas a questionar a versão oficial dos fatos, alegando que o objeto que atingiu o Pentágono não foi um Boeing carregado de passageiros, mas um míssil. A seguir veremos algumas das questões que Meyssan levantou em seu livro.

Porque a marca do impacto é tão pequena?
As imagens do impacto mostram um buraco de aproximadamente 20 metros no muro do Pentágono, o que parece pouco considerando-se que o prédio foi atingido por um Boeing de 100 toneladas a 400 km/h. E onde estão as marcas das asas do avião? E por que o impacto deixou intactos os prédios internos?

Vamos começar pelo tamanho dos danos. Apesar do que algumas fotografias sugerem, o impacto não afetou apenas o anel externo do Pentágono, mas sim todos os cinco anéis concêntricos que formam o prédio causando no terceiro anel (anel C) um buraco de quase 4 metros, um dano considerável uma vez que a parede externa do Pentágono era reforçada com um compósito feito de aço e malha de fibra utilizada em coletes à prova de balas (que ironicamente havia acabado de passar por uma obra estrutural a poucos dias de ser inaugurada). Não apenas o prédio era reforçado mas também as janelas eram, naturalmente, blindadas -- cada uma tinha 5 cm de espessura e mais ou menos 1.200 kg, o que explica porque algumas delas permaneceram inteiras nas áreas vizinhas ao centro do impacto. De qualquer maneira, se um Boeing não atravessou as torres envidraçadas do World Trade Center, seria espantoso se o fizesse nas paredes reforçadas do Pentágono. A fotografia a seguir, tirada em 2002, mostra como os outros anéis tiveram que vir abaixo para a obra de reconstrução.



E as asas dos aviões? Porque não deixaram suas marcas nos muros? Primeiramente é preciso lembrar que colisões não acontecem como nos desenhos animados, deixando na parede uma marca com a forma do objeto que o atinge. Ao se chocar com o muro do Pentágono, o Boeing teve suas asas arrancadas, concentrando o choque no centro da estrutura. Ainda assim as asas deixaram suas marcas nos muros; note os pontos escurecidos em posições aproximadamente simétricas do ponto central do impacto. Além disso, fotografias mostram que diversos postes de iluminação foram arrancados pelo Boeing em sua aproximação, o que não teria acontecido se o Pentágono tivesse sido atingido por um míssil.




A seta mostra um dos muitos postes arrancados pelo Boeing em sua trajetória em direção ao Pentágono.

O filme abaixo é bastante esclarecedor. Ele reproduz a trajetória do avião mostrando onde estavam os postes que foram arrancados pelas asas do avião, o local em que ele foi filmado por uma câmera de segurança e o ponto de impacto no Pentágono.

Se foi um avião onde foram parar os destroços dele?
Os conspiracionistas alegam como prova definitiva de que o que atingiu o Pentágono não foi um avião o fato de que as fotografias do acidente não mostram sinais de destroços. Isso não é verdade. Existem dezenas de fotografias que mostram claramente os destroços da fuselagem na área do impacto.






O problema que vêem os conspiracionistas é que esses destroços não se parecem com aqueles largos destroços vistos em alguns acidentes aéreos "comuns". Mas é preciso lembrar que em um acidente aéreo "comum" o piloto tenta até o último minuto salvar o avião e que, nos casos que não há opções a não ser uma aterrisagens forçada, o piloto somente tenta a manobra depois de esvaziar os tanques de combustível do avião. Já no caso do Pentágono o piloto deliberadamente tentou atingir com o máximo de "aproveitamento" seu alvo blindado. O efeito foi muito mais destrutivo: ao penetrar a 400km/h no muro externo reforçado do Pentágono com os tanques cheios de combustível, o Boeing transformou-se em uma massa disforme de metal superaquecido, liquefazendo os metais de baixo ponto de fusão como alumínio e magnésio que constituem boa parte da fuselagem de um avião, e pulverizando os destroços. Assim, metaforicamente, pelo menos, os conspiracionistas têm razão: o Boeing atingiu o Pentágono muito mais como um míssil do que como um avião de passageiros; veja o filme de um outro avião colidindo contra um muro blindado, neste caso, para testar a resistência da parede de uma usina nuclear. Embora o jato F4 usado no teste seja menor e mais leve do que um Boeing o filme permite um precedente razoável para comparação. Veja como os destroços foram reduzidos a pó.




Esta imagem da carcaça de um avião acidentado é usada pelos conspiracionistas como o tipo de destroço que deveria ter sido encontrado no Pentágono.

A revista de ciência e tecnologia Popular Mechanics conversou com mais de 300 especialistas e testemunhas para escrever um dos mais completosartigos descontruindo a maioria das alegações conspiracionistas. Um destes especialistas foi Allyn E. Kilsheimer, o primeiro engenheiro a chegar ao local do impacto. Allyn declarou o seguinte:

Eu sei que foi um avião que atingiu o Pentágono e vou lhe dizer por que. Eu vi as marcas das asas do avião nas paredes do prédio, eu recolhi partes da fuselagem com pinturas da companhia aérea nelas e eu encontrei a caixa preta. Eu segurei partes dos uniformes dos tripulantes em minhas mãos, incluindo partes do corpo deles."

Claro que sempre se pode afirmar que este testemunho enfático faz parte da conspiração por trás do 11 de setembro. Mas há outras dezenas de testemunhas (um pouco mais de 50 pessoas) que efetivamente viram um avião colidindo com o prédio do Pentágono. A não ser que se admita que todos estão mentindo, então... caso encerrado.

Na verdade se a destruição do Pentágono não tivesse sido causada por um Boeing, teríamos uma pergunta muito mais embaraçosa para responder: "onde foi parar o vôo 77"? Não há duvida que o vôo 77 da American Airlines, partindo de Washington com destino a Los Angeles no dia 11 de setembro de 2001, foi realmente sequestrado. Além da caixa preta que foi recuperada, vários passageiros conseguiram contactar seus familiares através dos aparelhos celulares, sendo o caso mais famoso o de Barbara Olson, uma jornalista da CNN. Os conspiracionistas respondem dizendo que tanto os testemunhos quanto a caixa preta foram forjados, mas isso não muda o fato de que aquelas pessoas no vôo 77 nunca mais foram vistas. Teriam sido levadas para uma base secreta da CIA onde vivem prisioneiras até hoje? Ou o avião com todos os seus passageiros foi lançado no oceano, como já foi dito por um conspiracionista?

O World Trade Center
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