Projeto Ockham

N° 8 • 19 Jun 05

O verdadeiro horror de Amytiville
O que Hollywood faz quando suas idéias se esgotam? Exatamente, saca uma refilmagem. Como a onda agora são os filmes de terror (de preferência com crianças) Hollywood decidiu revirar os clássicos de horror do passado e desenterrou o roteiro “baseado em uma história verdadeira” de "The Amityville Horror" de 1979. Nada mal para a garotada que está se iniciando em seus primeiros sustos. É uma pena entretanto que toda uma nova geração será levada novamente a acreditar que há alguma ponta de verdade na história de Amityville.

A película “The Amityville Horror” é a mãe de todos os filmes de casas assombradas. Por isso não é muito difícil falar sobre ela: é a velha história da família que se muda para uma casa na qual, em um passado não muito distante, um brutal assassinato foi cometido. Ah sim, há até mesmo o velho cemitério indígena, meio esquecido no primeiro filme, mas que a nova versão promete explorar melhor.

O brutal assassinato de fato aconteceu: em 13 de novembro de 1974 seis moradores da casa foram mortos a tiros enquanto dormiam. O único sobrevievente, Ronald Jr. foi condenado pelos crimes e a casa colocada a venda. No ano seguinte o casal George e Kathy Lutz  e seus três filhos se mudaram para lá. Logo os acontecimentos estranhos começaram: portas e gavetas se fechavam sozinhas com grande estrondo e algumas vezes eram arremessadas longe; um enxame de insetos vindo não se sabe de onde assolou a casa; uma entidade demoníaca de olhos avermelhados era vista constantemente à noite e certa vez deixou pegadas bifurcadas na neve; um padre chamado para benzer a casa foi posto para correr por uma voz que disse em tom gutural “Vá embora!”, e muitas outras coisas sinistras.

Depois de algum tempo os Lutz abandonaram a casa - que logo foi invadida por centenas de turistas e caçadores de fantasmas, único inconveniente, diga-se de passagem, que os moradores seguintes tiveram - e decidiu escrever um livro sobre a história toda. O resultado foi “The Amityville Horror: A True History”, publicado em 1977 pelo ghost writer (sem jogo de palavras) Jay Anson, que mais tarde deu origem ao filme.

Mas nem todos engoliram a história de Amityville. Investigações posteriores mostraram muitos furos nos fatos narrados pelos Lutz no livro de Anson. Só para começar o padre despejado pelo demônio nunca sequer esteve na casa. A tal tribo indígena, cujas ruínas teriam sido profanadas pela construção da casa, nunca habitou a região de Amityville. As portas das quartos e suas dobradiças que, segundo os Lutz, tinham sido violentamente arrancadas pelas assombrações estavam intactas e a criatura de olhos vermelhos jamais poderia ter deixado pegadas na neve já que não havia neve na época em que elas foram encontradas.

Mas o rótulo de "história verdadeira" de Amityville deveria ter sido definitivamente esquecido quando Willian Webber, advogado do homem condenado por matar as seis pessoas na casa, admitiu que toda a história fora inventada por ele e por George Lutz. Para Lutz a história era simplesmente uma maneira de ganhar algum dinheiro, mas para Webber era uma forma de conseguir um novo julgamento para seu cliente, colocando a culpa dos assassinatos nos demônios.

Ironicamente George Lutz, que nunca admitiu a farsa, está sentindo na pele que a lenda é muito mais interessante e muito mais pegajosa que a verdade. Lutz está processando os produtores da nova versão de Amityville, dizendo que sua imagem está sendo denegrida pelo filme. Na atual versão, seu personagem mata o cachorro com um machado, constrói caixões para seus filhos, tenta afogar sua esposa e distribui tiros em todos com uma espingarda. George nega ter feito qualquer destas coisas mas quem quer saber, não é? :-))

Live Science

Cura mediúnica dá cadeia
O dia em que virmos notícias assim nas manchetes dos diários populares brasileiros estaremos fazendo algum progresso. Por ora, a notícia vêm do Canadá: Alex Orbito, um dos maiores cirurgiões mediúnicos do mundo (segundo ele mesmo é claro), foi preso e acusado de fraude esta semana.

No Canadá desde sábado (16 de junho) Orbito organizava sessões de cura espiritual, pelas quais cobrava U$$ 135. Nos dois minutos que durava a sessão, Orbito abria o abdomen dos pacientes e retirava pedaços de carne que dizia serem tumores e “negatividades”; tudo sem anestesia e também sem sangue nem cicatrizes. Em três dias, Orbito já tinha atendido mais de 600 pessoas e faturado cerca de U$$ 80.000. Seu lucrativo negócio foi interrompido pelas autoridades canadenses que descobriram que as “negatividades” que Orbito dizia retirar da barriga de seus pacientes eram nada mais que fígado de frango.

Alex Orbito é velho conhecido dos céticos, que já o acusaram dezenas de vezes pelos crimes que agora responderá na justiça canadense. Orbito pratica seus golpes desde a década de 70 e já percorreu 67 países atraindo turistas para as Filipinas, onde detêm seu centro mediúnico conhecido por "A Pirâmide da Ásia". Tornou-se especialmente popular ao ser citado por Shirley Maclaine em seu livro de auto-ajuda esotérico : “ Going Within: A Guide for Inner Transformation ”. Só no Brasil sua popularidade nunca foi das maiores, afinal, por aqui a competição é grande.

GlobeAndMail

Respirando sob a água
Alan Izhar-Bodner, um inventor israelense inventou um sistema que permite respirar embaixo d’água sem a necessidade de tanques de oxigênio. Seu aparato permite ao mergulhador usar o oxigênio dissolvido na água, da mesma maneira que os peixes fazem.

O sistema de Alan usa a Lei de Henry, a mesma que explica porque o gás escapa de uma latinha de refrigerante quando você a abre: quando a latinha é aberta a pressão cai e a solubilidade do gás diminui fazendo como que parte do gás, antes dissolvido no líquido, escape para o ar. No mecanismo de Alan, uma pequena centrífuga localizada no respiradouro do mergulhador reduz a pressão da água do mar e retira dela o oxigênio na taxa necessária. A autonomia do mergulhador é a mesma da duração da bateria do equipamento.

O sistema é tão simples que é espantoso que ninguém ainda tenha pensado nisso. Júlio Verne deixou escapar a oportunidade em “20.000 Léguas Submarinas”, mas não George Lucas: em “Star Wars – A Ameaça Fantasma”, Obi Wan mergulha com um um pequenino bocal que poderia muito bem funcionar assim…

Technovelgy

De volta para o futuro
Um aviso aos viajantes do tempo que pretendem voltar ao passado para mudar uma coisinha ou duas no presente: você pode até voltar ao passado e dar uma boa olhada por lá, mas não pode transformar seu pai no cara mais descolado da escola se isso for alterar a mesada que você recebe no futuro. É basicamente o que diz o novo modelo físico que os cientistas vêm empregando para explicar as viagens no tempo.

Einstein já mostrou que o espaço-tempo dobra-se sob si mesmo permitindo, ao menos em teoria, retroceder no tempo. Mas um dos maiores impedimentos às viagens no tempo como possibilidade são os paradoxos que elas levantam. Afinal se você voltasse ao passado e sua mãe se apaixonasse por você em vez do seu pai, você nem ao menos teria nascido e não teria voltado ao passado para alterá-lo.

Como não vemos pessoas se desvanecendo todos os dias, isso significa que ou as viagens no tempo não são possíveis ou alguma coisa impede que os viajantes do tempo alterem o futuro. Os cientistas preferem a segunda opção; segundo eles, as próprias leis físicas que permitem as viagens no tempo se encarregam de impedir os paradoxos.

A física quântica trabalha com probabilidades; existem diferentes possibilidades para um estado até o momento em que você o mede. Somente neste instante todas estas possibilidades se colapsam em uma e a realidade é definida. “A mecânica quântica distingue entre algo que pode acontecer e algo que realmente aconteceu. Se você não sabe se seu pai está vivo, se existe uma chance de 90% de ele estar vivo, então existe uma chance de você voltar ao passado e matá-lo.” diz o professor Dan Greenberger, da universidade da cidade de New York. “Mas se você sabe que ele está vivo, não há nenhuma chance que você consiga matá-lo. O próprio fato de seu pai estar vivo vai conspirar contra suas intenções de matá-lo”.

E pensar que nosso slogan é de que a verdade é menos estranha do que parece…  

BBC News

Rapidinhas
Quando a Ciência é pornográfica.
Segundo um estudo publicado na revista Nature, homens produzem esperma de melhor qualidade quando assistem à pornografia envolvendo homens e mulheres, do que quando as imagens pornográficas envolvem apenas mulheres. A explicação parece ser evolutiva: diante de imagens que sugerem competição pela fêmea o homem produz nadadores mais resistentes e com maiores chances de atingir o óvulo. Uma das primeiras aplicações do estudo será a atualização do “material de ajuda” utilizado nas salas de coleta das clínicas de fertilidade.

Será que ela sonha com ovelhas elétricas?
Este é mais ou menos o título do conto de ficção científica que deu origem ao filme Blade Runner (Do Androids Dream of Eletric Sheep? de Philip K. DIck). E é mais ou menos o que a gente pensa ao olhar para o robô apresentado na 2005 World Expo, no Japão. É bom alguém atualizar o teste de Voight-Kampff, aplicado pelo personagem de Harrison Ford em Blade Runner para diferenciar os humanos dos não-humanos...

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